25/06/2011
PARA FAZER ESCOLHAS...
05/03/2011
Antonio Carlos Gomes da Costa - Um Educador com uma extraordinária capacidade de Fazer-se Presente
Tive a oportunidade e o privilégio de conhecer pessoalmente o Professor ANTONIO CARLOS GOMES DA COSTA em 2002, quando ele esteve em Salvador, logo após o lançamento do seu livro: “O professor como educador: um resgate necessário e urgente”, uma obra singular concebida originalmente para apoiar as ações pedagógicas de um grande projeto educacional realizado na Bahia, mas destinado a todos os professores e educadores que lidam com jovens. Muito calmo e sereno ao falar, sempre trazia consigo um sorriso de grande carisma e um sotaque característico de bom mineiro.O pedagogo Gomes da Costa, ativista dos Direitos Humanos na área da infância e da juventude, escritor, conferencista, consultor de organismos públicos nacionais e internacionais e também de empresas e de organizações do terceiro setor, um dos redatores do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), autor de mais de 40 livros, além de centenas de artigos publicados em diversas línguas, uma grande referência e notável expoente no campo da Pedagogia da Presença, da Socioeducação e da Educação Interdimensional, escreveu sua biografia com sentido de missão, mestre no debate das idéias e na formulação de propostas, lutou bravamente pela garantia dos direitos de crianças e adolescentes.
Na última 6ª feira, 04/03/2011, aos 61 anos de idade, o professor foi morar em outro plano, numa dimensão mais sutil da existência, onde certamente foi chamado para conceber projetos ainda mais desafiadores no campo social e educativo e liderar movimentos mais amplos para o desenvolvimento da consciência ética de outras civilizações.
Esse texto representa uma pequena homenagem de reconhecimento e admiração ao Prof. Antonio Carlos Gomes da Costa, um educador com uma extraordinária capacidade de fazer-se presente.
Transcrevo a seguir, a crença inabalável e compartilhada do professor e de seus colaboradores, clientes e parceiros estratégicos no Paradigma do Desenvolvimento Humano*, para que fique marcado em nossa memória, um exemplo real de experiência marcada por uma força transformadora, capaz de alinhar teoria e prática no cotidiano do processo educativo:
1. A vida é o mais básico e universal dos valores.
Respeitá-la acima de tudo é o caminho para a justiça, a solidariedade e a paz.
2. Nenhuma vida humana vale mais do que a outra.
Todo ser humano tem direito ao acesso a certas condições básicas de bem-estar e de dignidade.
3. Toda pessoa nasce com um potencial e tem o direito de desenvolvê-lo.
Toda condição impeditiva de que isto ocorra é, em si mesma, uma violência.
4. Para desenvolver o seu potencial, as pessoas precisam de oportunidades.
As oportunidades educativas são aquelas que verdadeiramente desenvolvem o potencial humano. As demais criam condições para isto.
5. O que uma pessoa se torna ao longo da vida depende de duas coisas: das oportunidades que teve e das escolhas que fez.
Nada adianta ter oportunidades e não saber fazer escolhas. Como, tampouco, adianta saber fazer escolhas e não ter oportunidades.
6. Além de ter oportunidades, as pessoas precisam ser preparadas para fazer escolhas.
As escolhas são feitas com base nas crenças, valores, pontos de vista e interesses das pessoas.
7. Cada geração deve legar para as gerações vindouras um meio ambiente igual, ou melhor, do que aquele recebido das gerações anteriores.
Fazer isto é respeitar o direito à vida daqueles que ainda não nasceram.
8. As pessoas, as organizações, as comunidades e as sociedades devem ser dotadas de poder para participar nas decisões que as afetem.
Só o poder participativo dos cidadãos poderá mudar os demais poderes: executivo, legislativo e judiciário.
9. A promoção e a defesa dos DIREITOS HUMANOS é o caminho para a construção de uma vida digna para todos.
A Declaração Universal dos Direitos Humanos é um projeto de humanidade a ser construído por todos e cada um dos povos ao longo da história.
10. O exercício consciente da cidadania é a melhor forma de fazer os DIREITOS HUMANOS transitarem da intenção à realidade.
Cidadania entendida como direito de ter direitos e dever de ter deveres.
11. A política de desenvolvimento deve basear-se em quatro pilares: liberdades democráticas, transformação produtiva, eqüidade social e sustentabilidade ambiental.
Sem isto, como disse Tancredo Neves, "toda prosperidade será falsa".
12. A ética necessária para pôr em prática o Paradigma do Desenvolvimento Humano é a ética da co-responsabilidade.
Co-responsabilidade entre as políticas públicas (primeiro setor), mundo empresarial (segundo setor) e organizações sociais sem fins lucrativos (terceiro setor).
A finalidade última de todo e qualquer processo de desenvolvimento deve ser o de assegurar, a todas as pessoas, o direito de acesso a essas oportunidades e liberdades fundamentais, necessárias à plena realização do seu potencial.
*Referência: http://www.modusfaciendi.com.br/oquenosune.htm
20/02/2011
Moon Games
" [...] Em meio a um cristal de ecos, o poeta vai pela rua, seus olhos verdes de éter abrem cavernas na lua [...]" (Vinicius de Morais - Antologia Poética).
Fotógrafo profissional e jornalista científico, Laurent Laveder criou a série Moon Games, composta por diversas imagens que mostram pessoas interagindo com a Lua.
Capturando as cenas por um ângulo específico, o artista faz parecer que o satélite está realmente ao alcance das mãos das pesssoas que, posando para as lentes do artista, brincam espontaneamente construindo inúmeras possibilidades de interação.
Laveder faz parte do coletivo The World At Night, que reúne 30 dos melhores astrofotógrafos do planeta.
Veja a seguir algumas dessas interessantes fotos e conheça melhor a arte de Laurent Laveder acessando: http://www.laurentlaveder.com
06/02/2011
Janelas de Paradoxos (KOANS):
"A ONDA VIVE A VIDA DE UMA ONDA E, AO MESMO TEMPO, A VIDA DE ÁGUA", disse o mestre. O ZEN-BUDISMO nos ensina que nosso ser, aparentemente separado, é como uma onda individual que se ergue e se dispersa no grande oceano da Vida. Como uma onda, nós somos impulsionados para frente pelas correntes profundas da vida. Se a nossa experiência se restringe apenas à superfície das coisas, achamos que somos a onda. E, como onda, nos sentimos sendo arrastados pela vida e temos medo de nos espatifarmos contra os rochedos da costa. Se a nossa experiência desce às profundezas das coisas, sabemos que somos o oceano todo, e a ansiedade desaparece. As ondas vêm e vão, mas o oceano permanece. (Zen Koans)“PARA ONDE VAI O MEU PUNHO, QUANDO EU ABRO A MÃO?”.
O KOAN é um pequeno enigma ZEN, contraditório ou paradoxal, de solução aparentemente irresolúvel numa análise lógica, seu objetivo é apreender a nossa verdade interior e para cada pessoa a solução do KOAN é única, pois ela deriva da intuição e do estado de consciência com que o encaramos.
“SE TUDO SE REDUZ A UNIDADE, A QUE SE REDUZ A UNIDADE?”
KOANS são narrativas ZEN, parábolas acessíveis a uma mente intuitiva que pretenda a iluminação, é, na verdade, um convite para superar a mente comum, um artifício para impelir a consciência para a iluminação. Trata-se de uma forma de treinamento utilizadas no ZEN para quebrar a mente lógica e trazer a tona a intuição e o insight.
“QUAL O SOM DE UMA SÓ MÃO BATENDO PALMAS?”
Os KOANS são normalmente postos como uma charada paradoxal, uma narrativa, diálogo, interrogação ou afirmação e o praticante deve resolvê-lo através de reflexão, pistas dadas pelo mestre e a própria experiência pessoal. É necessário envolvimento e concentração, conseguir aliar o coração à mente e silenciosamente encontrar a resposta.
Em outras palavras, são uma espécie de perguntas, quebra-cabeças ou questões levantadas pelo mestre para o discípulo com o objetivo de levá-lo à reflexão essencial que subjaz às conclusões lógicas. O sentido libertário e paradoxal dos KOANS também pode ser discernido em pequenas frases, histórias, ou mesmo poemas da cultura ZEN. Sem dúvida é um dos mais profundos exercícios de transcendência da racionalização.
“UM JARRO AO SE ESPATIFAR NO CHÃO, AINDA ASSIM É UM JARRO INTEIRO DESENHADO NO AR”.
Na perspectiva de Rubem Alves, KOANS são “rasteiras” que os mestres passavam no pensamento dos discípulos, porque sabiam que só se aprende o novo quando as certezas velhas caem.
"QUEM É AQUELE QUE ESTÁ SÓ NO MEIO DE DEZ MIL COISAS?".
Um KOAN é um paradoxo, mas que, para ser explicado, exige de nós estudos e reflexões que vão além do pensamento linear e da lógica no qual se concretizam. Em suma: KOANS são fenômenos complexos difíceis de explicar por paradigmas cartesianos e mecanicistas (Lorenz, 1996).
Para os meus trabalhos com grupos de crescimento construo KOANS que denomino de “Janelas de Paradoxos” em que o humor e o “non sense” são utilizados para perturbar a lógica habitual do discurso e, com isso, abalar a visão rotineira da realidade, permitindo uma compreensão intuitiva e imediata dos fenômenos grupais:
Abaixo transcrevo alguns deles:
- O QUE DIZER DA ATRAÇÃO EXISTENTE ENTRE OS VÁRIOS PONTOS QUE FORMAM UMA LINHA?...
- É POSSÍVEL REFLETIR SOBRE O DISTANCIAMENTO DO DEDÃO DO PÉ EM RELAÇÃO AO COURO CABELUDO?...
- EM DETERMINADAS OCASIÕES E CONTEXTOS É POSSÍVEL PERCEBER A VANTAGEM DE RETORNAR AO PONTO DE PARTIDA...
- HÁ QUEM DEFENDA A IDÉIA DE QUE A SOLUÇÃO PODE SER O PRÓPRIO PROBLEMA...
- QUAIS SERIAM AS CONSEQÜÊNCIAS DE ACHAR AQUILO QUE NUNCA FOI PERDIDO?...
- HÁ UMA GRANDE PROBABILIDADE DA ROTA PARA CIMA E PARA BAIXO SER A MESMA ROTA...
- É IMPORTANTE CONSTATAR QUE O BARBEIRO SÓ FAZ A BARBA DAQUELES QUE NÃO SE BARBEIAM A SI PRÓPRIOS...
- NO CÍRCULO, O PRINCÍPIO E O FIM SE CONFUNDEM...
Quando sua mente achar saídas para essas questões, agradeça-lhe, mas, ignore-as, retome a pergunta ou a afirmação e continue buscando outras respostas com diferentes perpectivas. É como responder com a não-resposta...
“Certa vez, um Grande Mestre estava sentado (em meditação), perguntou-lhe um monge:
O que você está pensando, (sentado aí) tão fixamente?
O mestre respondeu: Estou pensando no não-pensar.
O monge perguntou: Como você pode pensar no não-pensar?
O mestre respondeu: Não-pensando
29/01/2011
Sobre entender e não entender o Tempo, ao mesmo Tempo.
Há quem garanta que o TEMPO foi algo que inventaram para que as coisas não acontecessem todas de uma vez.Na cultura popular do Trava-línguas ou Parlenda (uma forma literária tradicional, rimada com caráter infantil, de ritmo fácil e de forma rápida), encontramos a seguinte reflexão sobre o Tempo: "O Tempo perguntou para o Tempo qual é o Tempo que o Tempo tem. O Tempo respondeu pro Tempo que não tem Tempo de dizer pro Tempo que o Tempo do Tempo é o Tempo que o Tempo tem".
No Eclesiastes (parte integrante dos livros poéticos e sapienciais do Antigo Testamento da Bíblia Cristã e Judaica) encontramos uma interessante referência sobre o mesmo tema: “Tudo tem o seu Tempo determinado e há Tempo para todo propósito debaixo do céu: há Tempo de nascer e Tempo de morrer; Tempo de chorar e Tempo de rir; Tempo de abraçar e Tempo de afastar-se; Tempo de amar e Tempo de aborrecer; Tempo de guerra e Tempo de paz”.
Um conhecido adágio considera que: "O Tempo dá, o Tempo tira, o Tempo passa e a folha vira". No sincretismo religioso, qualquer casa de raiz africana tem no seu quintal uma bandeira branca presa a um mastro, esse é o símbolo da presença do “Orixá Tempo”, ligado à longevidade e à durabilidade das coisas, acredita-se que é necessária a sua permissão para que todas as coisas ocorram no seu Tempo, seja curto ou longo, é no Tempo que tudo acontece. O Tempo não pára e muda a qualquer Tempo.
Talvez por isso Gilberto Gil, nesse contexto, tenha afirmado que: “[...] Não me iludo tudo permanecerá do jeito que tem sido, transcorrendo, transformando; Tempo espaço navegando todos os sentidos [...]”.
O poeta Mario Quintana nos traz uma outra perspectiva de Tempo: “A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa. Quando se vê, já são seis horas! Quando de vê, já é sexta-feira! Quando se vê, já é natal... Quando se vê, já terminou o ano... Quando se vê perdemos o amor da nossa vida. Quando se vê passaram 50 anos! Agora é tarde demais para ser reprovado... Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio. Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas... Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo... E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de Tempo. Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz. A única falta que terá será a desse Tempo que, infelizmente, nunca mais voltará”.
Enquanto Ivan Lins pondera: “[...] No Novo Tempo apesar dos perigos, da força mais bruta, da noite que assusta, estamos na luta pra sobreviver [...]”.
E Lulu Santos com o romantismo dos grandes poetas, constata: “[...] Hoje o Tempo voa amor, escorre pelas mãos. Mesmo sem se sentir. E não há Tempo que volte amor. Vamos viver tudo que há pra viver, vamos nos permitir [...]”.
E ainda há tempo para visitarmos Renato Russo para compreender porque ele considera que: “[...] Todos ao dias quando acordo não tenho mais o Tempo que passou, mas tenho muito Tempo, temos todo o Tempo do mundo [...]”.
Também Aldir Blanc nos diz que: “[...} Batidas na porta da frente, é o Tempo. Eu bebo um pouquinho pra ter argumento, mas fico sem jeito, calado, ele ri ele zomba do quanto eu chorei porque sabe passar e eu não sei [...]”.
E finalmente (ou não), Caetano Veloso nos convida a partilhar a sua Oração ao Tempo: “És um senhor tão bonito quanto a cara do meu filho. Tempo. Vou te fazer um pedido. Compositor de destinos tambor de todos os ritmos. Entro num acordo contigo. Por seres tão inventivo e pareceres contínuo, és um dos deuses mais lindos. Que sejas ainda mais vivo no som do meu estribilho. Ouve bem o que te digo. Peço-te o prazer legítimo e o movimento preciso, quando o Tempo for propício. De modo que o meu espírito ganhe um brilho definido e eu espalhe benefícios. O que usaremos pra isso fica guardado em sigilo apenas contigo e comigo. E quando eu tiver saído para fora do teu círculo, não serei nem terás sido. Ainda assim acredito ser possível reunirmo-nos num outro nível de vínculo. Portanto, peço-te aquilo e te ofereço elogios nas rimas do meu estilo...”.
Em Tempo: Espero que os leitores amigos encontrem algum Tempo para refletir sobre essas e outras leituras do Tempo.
Bom Tempo!
12/01/2011
Administrar COISAS e Liderar PESSOAS
Precisa-se de pessoas que tenham os pés na terra e a cabeça nas estrelas.
Capazes de sonhar, sem medo dos sonhos.
Tão idealistas que transformem seus sonhos em metas.
Pessoas tão práticas que sejam capazes de transformar suas metas em realidade.
Pessoas determinadas que nunca abram mão de construir seus destinos e arquitetar suas vidas.
Que não temam mudanças e saibam tirar proveito delas.
Que tornem seu trabalho objeto de prazer e uma porção substancial de realização pessoal.
Que percebam, na visão e na missão de suas vidas profissionais, de suas dedicações humanistas em prol da humanidade, um forte impulso para sua própria motivação.
Pessoas com dignidade, que se conduzam com coerência em seus discursos, seus atos, suas crenças e seus valores.
Precisa-se de pessoas que questionem, não pela simples contestação, mas pela necessidade íntima de só aplicar as melhores idéias.
Pessoas que mostrem sua face de parceiros legais.
Sem se mostrarem superiores nem inferiores.
Mas... iguais.
Precisa-se de pessoas ávidas por aprender e que se orgulhem de absorver o novo.
Pessoas de coragem para abrir caminhos, enfrentar desafios, criar soluções, correr riscos calculados.
Sem medo de errar.
Precisa-se de pessoas que construam suas equipes e se integrem nelas.
Que não tomem para si o poder, mas saibam compartilhá-lo.
Pessoas que não se empolguem com seu próprio brilho
Mas com o brilho do resultado alcançado em conjunto.
Precisa-se de pessoas que enxerguem as árvores.
Mas também prestem atenção nas magias das florestas.
Que tenham percepção de todo e da parte.
Seres humanos justos, que inspirem confiança e demonstrem confiança nos parceiros.
Estimulando-os, energizando-os, sem receio que lhe façam sombra e sim orgulhando-se deles.
Precisa-se de pessoas que criem em torno de si um ambiente de entusiasmo
De liberdade, de responsabilidade, de determinação,
De respeito e de amizade.
Precisa-se de seres racionais.
Tão racionais que compreendam que sua realização pessoal,
Está atrelada à vazão de suas emoções.
É na emoção que encontramos a razão de viver.
Precisa-se de gente que saiba administrar COISAS e liderar PESSOAS.
Precisa-se urgentemente de um novo ser.
04/12/2010
A REVOLUÇÃO: É HORA DE MUDAR
Tudo o que existe muda constantemente. Dos átomos às galáxias, passando por todos os seres, nada escapa às Leis que orientam essas transformações. Conhecendo tais Leis, podemos compreender melhor os processos de mudanças pelos quais passamos, agindo conforme a sabedoria de cada situação (Visão Taoista).O I Ching ou Livro das Mutações é uma das mais importantes obras da literatura mundial. Sua origem remonta a uma antiguidade mítica, tendo atraído a atenção dos mais eminentes eruditos chineses até os nossos dias. Tudo que existiu de grandioso e significativo nos 3.000 anos de história cultural da China ou inspirou-se nesse livro ou exerceu alguma influência na exegese do seu texto. Assim, pode-se afirmar com segurança que uma sabedoria amadurecida ao longo de séculos compõe o I Ching*. Os hexagramas são símbolos constituídos por seis linhas Yin ou Yang que estruturam o livro chinês; no Hexagrama 49 temos a representação da MUDANÇA que flui pela sabedoria da impermanência e pelo desenvolvimento natural do processo de crescimento:
MUDAR É POSSÍVEL**
Sentes. Intuis. Sabes.
A necessidade de mudar afirma-se dentro de ti.
Talvez a dúvida e o medo te detenham.
Mas podes mudar o teu rumo.
Um rumo é uma mera orientação.
Não é um caminho único, nem fixo; não é para sempre.
Perante uma encruzilhada, a tua escolha pode ser outra.
Poucas coisas na vida são tão permanentes como o céu e a terra.
Todo o resto, incluindo todos os seres humanos, muda. O teu rumo também.
Por isso é bom o desapego e não nos agarrarmos ao que é conhecido, seguro.
Convém deixar que a vida flua e se encaminhe para as mudanças.
Presta atenção às indicações do caminho. É no movimento constante que reside a renovação, que ocorre na natureza, na mente e no espírito.
O caminho vai procurando o seu próprio sentido, ás vezes de uma maneira harmoniosa, outras aos tropeções.
E é precisamente quando se tropeça... Que chega a hora de ouvir a mensagem desse caminho.
É necessário seguir outro rumo. Porquê tanto medo? O caminho foi sempre desconhecido. O que te deixa inseguro é teres de abandonar um percurso ao qual já estavas habituado; mas o hábito faz-te perder o prazer da travessia e as oportunidades de percorrer outros caminhos.
Portanto, talvez encontres aquilo que, sem saberes ainda, procuras e necessitas.
Por isso, não tenhas medo, não fujas perante a mudança. Não queiras manter uma posição que já não te leva a parte alguma.
Tens de ser flexível e adaptar-te às circunstancias. Porque, embora a princípio te custe entender... As mudanças são sempre para melhor e ajudam a evoluir para um nível superior.
Lentas ou vertiginosas, pacíficas ou violentas, desejadas ou não, as mudanças promovem o progresso.
Não te deixam estagnar ou murchar. Trazem abundância e riqueza de bens à tua porta, para que tenhas oportunidades na vida, porque o movimento é a manifestação suprema da vida e da prosperidade. A quietude e a rotina, pelo contrário, são sinônimas de estagnação e ocaso.
Por isso, decide-te e começa a mudar.
Rende-te ao movimento e vê com outros olhos o curso da vida.
Ela mesma te indica o movimento propício para agires sem medo e aventurares-te a novos caminhos.
A mudança é um ato de fé.
Todas as mudanças respondem as forças superiores.
Por isso não há motivo para te arrependeres da transformação.
Referências:
* I Ching: o livro das mutações / tradução do chinês para o alemão, introdução e comentários: Richard Wilhelm, prefácio: C. G. Jung; tradução para o português: Alayde Mutzenbecher e Gustavo Alberto Corrêa Pinto. São Paulo: Pensamento, 2006.
** Do I Ching, Hexagrama 49, Arteplural Edições Ltda





